quarta-feira, 9 de abril de 2008

E a gente acha que tem problemas, né?

Esse ano comecei a trabalhar com a pirralhadinha. Aluninhos de quatro anos, pessoinhas que são um mistério para mim, estou aprendendo como eles funcionam. É fantástico.

Tem a loirinha que não fala nada. Tem o baixinho tão esperto que coloca a cadeira encostada na parede e sobe no encosto dela para ver pela janela, e quase me mata do coração com emdo que ele caia. Uma outra aluna sempre vem vestida já para a aula de balé. Outra, nas primeiras aulas, não podia nem me ver, e começava a chorar e chorar e chorar. Hoje já se despede de mim com um beijo.

Mas tem um caso que é diferente, o dos gêmeos. São terríveis. A menina é toda revoltadinha, mas é mais tranqüila. Já o menino... no começo queria me morder. Batia na minha perna como chinelo (um havaianas numero 26, acho, nem cócegas fazia, mas vale a falta de respeito, né?), mostrava a língua.. um terror MESMO. E já estava me irritando. Aí a diretora me chamou para conversar.

E eu fiquei sabendo da história daqueles dois. São adotados, mas passaram muito tempo em instituições. Sabe-se lá o tratamento que tiveram. Para completar o quadro do baixinho, ele praticamente não enxerga, e ainda tem problemas de audição. Tiveram a sorte de serem adotados juntos, e estão, aos poucos, melhorando. Devo dizer que o comportamento deles já está bem diferente. Mudaram assim que perceberam que eu gosto deles, que não estou lá para maltratar ninguém, que podem confir em mim, sabe?

Fico aqui pensando no que esses pirralhinhos já devem ter vivido. E só têm quatro aninhos...

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