quinta-feira, 17 de abril de 2008
Cheguei na escolinha ontem, e um aluninho: Trouxe o radio (com sotaque inglês) hoje, tia?
– Trouxe, claro.
– Aaah. (e vai para a sala. De repente, escuto) All we hear is radio gaga, radio goo goo...
Nessas horas eu acho que o mundo tem salvação, sim. :)
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Sobrinha
Hoje ela passou o dia aqui em casa. Até acordei mais cedo que o normal, olha que incrível. Foi bem bacana, ela é um doce e não chora por quase nada - e se chora, é só aparecer com uma caneta e um pedaço de papel que ela vai fazer os cocós (desenhos, rabiscos, enfim, seja lá o que uma pirralha de menos de dois anos faça) dela feliz e satisfeita.
À tarde foi hora de banho e de mamadeira, que ficaram por minha conta, claro. E foi divertido. E quase me deu vontade de fazer uma loucura aí e arrumar o meu. Quase. Mas não sei. Ultimamente tenho repensado muito isso. Minha mãe ficaria radiante, mesmo (acho que principalmente) se eu fizesse a loucura das loucuras, uma produção independente.
Mas não tenho mais vontade não. Já tive bastante. Muita, muita mesmo. E, de acordo com o que vi hoje, eu nem seria assim uma mãe tão ruim. Mas ai... sei não. Quem sabe daqui uns 10 anos.
Tudo corrido, tudo atchim, tudo confuso.
Muita coisa pra ler, muito trabalho... semaninha tá complicada. Mas a conta bancária agradece, de verdade. Tá precisando duns trocadinhos por lá.
E eu tô precisando dormir e pensar bastante sobre umas paradas aê. Como me cansa ser paciente, viu. Ai...
E amanhã é dia da pirralhada de novo. Vamos ver qual é a novidade.
sábado, 12 de abril de 2008
Adoro dormir. Durmo 10, 12, 15 horas seguidas fácil, fácil. Mas eu não suporto a idéia de ir dormir. Ir dormir é horrível. É o momento mais agitado do meu cérebro. Posso estar morrendo de sono, mas o cérebro agitado não me deixa dormir.
Fico revivendo brigas antigas. Pensando nas brigas futuras. Respostas que eu dei e não deveria ter dado. Respostas que eu não dei e deveria ter dado. Desculpas que eu não pedi, amigos e amores que abandonei. Planos e desejos para o futuro. Penso na minha casa, em ter alguém com quem dividir a casa que seria nossa. Penso em ter e não ter filhos, penso em viagens, oportunidades aproveitadas e não aproveitadas, passadas e futuras. Penso em como será minha vida daqui dez, quinze, vinte anos.
E eu não gosto de pensar nessas coisas. E enquanto não vou deitar, penso muito pouco nelas. Mas bastou a minha linda cabeleira encostar no travesseiro, já era. Então, o que faço? Adio. Essa é a explicação da minha insônia que não é insônia porque eu durmo muito e acordo querendo dormir mais. Mas adio até o último minuto, até não agüentar mais segurar os olhos abertos, para ver se esse período de turbulência cerebral diminui. Bem, não diminui, exceto algumas raras vezes.
Curioso que, quando durmo acompanhada, isso não acontece. Não sei se pela falta de hábito ou o quê. Mas eu acabo concentrando na outra pessoa e esqueço de mim, esqueço de pensar nessas coisas. E pensa que durmo? Nada. Nessas ocasiões, presto atenção na respiração dele. Em como é bom estar ali abraçada. Em como seria bom ter essa companhia toda noite. Fico com inveja de como ele dorme fácil e rápido. Fico irritada e culpando os roncos que me acordam quando eu estava naquele estado de quase-dormência.
Só que o pior de tudo é quando preciso acordar cedo no dia seguinte. Aí é uma luta muito maior. Fico ansiosa porque sei que preciso dormir, porque fico com medo de perder hora, porque, porqu, porque.. e aí, além desses momentos pré-sono, mu cérebro não desliga durante o sono. E, claro, não durmo direito. E acordo de mau humor e ninguém sabe porquê. Ai.
Eu sofro.
O problema de dar aula pra crianças é que eles estão, o tempo TODO, te testando. Querem ver até onde eles podem ir, e isso é foda. Foda porque eu não quero sero tipo de professora chata que não deixa a pirralhada fazer nada, mas também não posso deixar a coisa sair do controle,senão não consigo mais dar aula.
Foi a minha segunda aula com eles. E a primeira com os três juntos, pois aula passada um deles, o mais pestinha, tinha faltado.
Dois deles falam inglês super bem. Moraram no exterior, aquela coisa. E um deles, o mais novinho, estava especialmente irritante hoje. Mas eu fiz um curso no Master Super Ultra Blaster Templo Budista Tabajara e não me alterei.
Num determinado momento, ele estava falado alto demais, e eu falei para ele parar de gritar. Ele então contou até três e soltou um belo de um berro. Completou dizendo "THIS is yelling." Um doce, né? Mas vá lá, até tinhaum certo contexto, e eu mesma solto um desses quando algum aluno pergunta o que é scream, yell e companhia.
Mas aí, o outro, sei lá por que motivo, razão ou circunstância, resolveu imitá-lo, tempos depois. Começou "1, 2, 3 AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH". Fiquei passada. Nem falei nada durante alguns momentos. Depois, distribuí uma folha para cada um, e escrevi na lousa "Dictation". "Pra nota, teacher?" "oh, yeah, babe."
Comecei. I study English. (enquanto ia pensando em como chegar no assunto) My teacher is Kelli. She could be a very fun teacher. But we behaved badly, so she is not fun anymore. (tudo isso no meio de comentarios que variavam desde o "ah, muito fácil" até o "nossa, tá tudo errado") If we behave better, she can be fun again. That means respecting her and my friends, not yelling, not fighting..." Não me lembro do resto. Mas nesse ponto percebi que o ditado tinha feito o efeito que eu esperava.
Disse a eles que, sendo a primeira vez, eu não ia dar notas. Mas, caso o ocorrido se repita, não vou dar outro ditado. Vou convocar uma reunião de pais. Levando em conta que o resto da aula foi tranqüilo e sossegado, acho que isso não volta a acontecer tão cedo. I hope. And I pray. :)
Mas tudo isso me cansa bem rápido. E me dá preguiça. Bem no estilo Macunaíma de ser, mesmo. Vejo uma discussão, vejo qual lado tem mais chances de vencer. Se dá empate... talvez eu entreno meio para tentar desequilibrar o jogo. Se alguém está ganhando... ai, que preguiça!
Tenho preguiça especial daquelas brigas, discussões que envolvem trocas de acusação, por mais veladas que sejam. Gosto de debater idéias. Conceitos. E só. Esse negócio de feio dum lado, cara de melão do outro..l né pra mim, não. Passo. E vivo beeem melhor assim.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Da série "Como o Houaiss me ajuda"
E aí apareceu uma coisa chamada "quelação". Ah, sim, o trabalho é passaro texto para o inglês. Desgraça pouca...
Fui procurar o que é a tal quelação.
Quelação: substantivo femininoÉ, não ajudou muito. Vamos ver que raio é um agente quelante, porque aparece mais pra frente no texto, mesmo.
1 Rubrica: química.
transformação em quelato
2 Rubrica: medicina.
emprego de agentes quelantes no tratamento de certas intoxicações
Quelante: adjetivo de dois gênerosHmmm... ainda não foi dessa vez. Quem sabe se descubro o que é o tal quelador.
que quela; quelador
Quelador: adjetivoOh, vida, oh céus... tá difícil. Já sei, vou procurar o verbo, né? Não dizem que "no princípio era o Verbo"? Que burrinha, eu, devia ter feito isso antes.
1 que quela; quelante
■ substantivo masculino
Rubrica: química.
2 m.q. agente quelante
Quelar: verboAh, não. Eu não mereco isso. Vi ali na listinha do lado que tem "quelato". Sei que isso também aparece no texto. Vamos lá.
Rubrica: química.
transitivo direto
efetuar, provocar a quelação de
Ex.: q. zinco
Quelato: Rubrica: química.Bom. Melhorou um pouquinho.
sal ou íon complexo no qual os ligantes se coordenam com o íon ou átomo central através de duas ou mais ligações covalentes
Agora Vamos contrastar. Mr. Google, can you helpe me? Peguei o contexto. Estamos falando de quelação entre íons minerais e aminoácidos. Adivinhem o primeiro resultado? É, o PRIMEIRO.
Synergistically Balanced Amino Acid Chelated Minerals
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Serviço militar
Estou dizendo isso porque li hoje que o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, seja lá que raio isso queira dizer, pretende mudar um pouco esse sistema, convocando um contingente maior de jovens e criando uma alternativa - um serviço social obrigatório.
No texto que eu li, vi umas duas pérolas. Olha só:
"Segundo o ministro, o serviço atualmente não é de fato obrigatório, já que o contingente de jovens que poderiam servir é muito maior do que o número atual de recrutas."Ah, não é obrigatório? Então tá, então. Acho que esse ministro deveria vir falar isso perto dos meus irmãos, que não conseguiram escapar do TG.
E a segunda:
"Quem não quisesse entrar para o exército poderia prestar um serviço social obrigatório. "Esse serviço teria um treinamento militar rudimentar para compor uma força de reserva para ser mobilizada nas emergências", explicou Unger."
Força de reserva para atuar em emergências? No Brasil? Será que ele tá falando da dengue? Só pode, né. Ou pra lutar contra (hauhauhauhauhauahuahua – desculpa, não dá pra segurar a risada) contra traficante?
Pessoal, tem que vencer (hahahahahaha) dentro de campo. Esse WO não vale. :)
Tia Kelli
Tia Kelli, posso pintar outro? Tia Kelli, tia Kelli, tia Kelli, ô tia! (essa é a Letícia)
Tia, meu desenho rasgou, não quero mais!
Tia Kelli!
AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Mas quando eles se penduram no meu pescoço para me beijar e falar tchau, ou para falar oi e dizer que eu sou linda, aí eu derreto.
Adoro as pestinhas.
Esse ano comecei a trabalhar com a pirralhadinha. Aluninhos de quatro anos, pessoinhas que são um mistério para mim, estou aprendendo como eles funcionam. É fantástico.
Tem a loirinha que não fala nada. Tem o baixinho tão esperto que coloca a cadeira encostada na parede e sobe no encosto dela para ver pela janela, e quase me mata do coração com emdo que ele caia. Uma outra aluna sempre vem vestida já para a aula de balé. Outra, nas primeiras aulas, não podia nem me ver, e começava a chorar e chorar e chorar. Hoje já se despede de mim com um beijo.
Mas tem um caso que é diferente, o dos gêmeos. São terríveis. A menina é toda revoltadinha, mas é mais tranqüila. Já o menino... no começo queria me morder. Batia na minha perna como chinelo (um havaianas numero 26, acho, nem cócegas fazia, mas vale a falta de respeito, né?), mostrava a língua.. um terror MESMO. E já estava me irritando. Aí a diretora me chamou para conversar.
E eu fiquei sabendo da história daqueles dois. São adotados, mas passaram muito tempo em instituições. Sabe-se lá o tratamento que tiveram. Para completar o quadro do baixinho, ele praticamente não enxerga, e ainda tem problemas de audição. Tiveram a sorte de serem adotados juntos, e estão, aos poucos, melhorando. Devo dizer que o comportamento deles já está bem diferente. Mudaram assim que perceberam que eu gosto deles, que não estou lá para maltratar ninguém, que podem confir em mim, sabe?
Fico aqui pensando no que esses pirralhinhos já devem ter vivido. E só têm quatro aninhos...
Então é assim. Eu tenho um miniconto. Queria que alguém lesse e desse uma opinião, mas morro de vergonha de mostrar pra outras pessoas. Então se por algum acaso da natureza alguém vier parar aqui, deixa um comentariozinho? Obrigada. Aí vai:
Sincronicidade
Sabe aquele casal perfeito? Eram eles. Foi numa dessas festas de amigos que se conheceram, sete longos e maravilhosos anos antes. Papo vai, papo vem... era tudo perfeito. Mesmos projetos, mesmos gostos, tudo combinava, tudo muito rápido. Logo estavam namorando, morando juntos, sendo felizes – os sete anos mais felizes já vividos até então. O bebê que estava a caminho, e embora inesperado, era apenas a coroação daquele amor tão grande. Desde que soubera da novidade, ele tinha se tornado ainda mais atencioso com ela. Satisfazia todas as suas vontades, até mesmo as mais ridículas e fora de época. Ficava com a mão em sua barriga, beijava, conversava com o bebê dentro dela. Às vezes brigavam, claro. Mas nunca durava muito.
Agora, ela estava lá, sozinha. Ele tinha viajado - alguma coisa urgente do trabalho, nem tinha dado tempo de ele explicar tudo direitinho. Ele não queria ir, a gravidez avançada.. queria estar com ela quando a criança nascesse. E, claro, o bebê resolveu nascer com o pai longe. Ele pegou a estrada para voltar assim que teve a notícia - queria estar com ela nesse momento mais do que qualquer outra coisa no mundo. O parto se complicou um pouco, e se tornou perigoso para mãe e filho. A volta dele também estava difícil – muitos carros na estrada, e o motorista da frente... parecia ter algo errado com ele. O bebê nasceu - lindo, forte, saudável. O carro da frente perdeu o controle, não havia muito a ser feito. Ele se viu envolvido na batida. Não havia como alguém sobreviver em um acidente como aquele. E ela, como se pressentisse, foi encontrá-lo.
